


José Olímpio
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Único partido político brasileiro realmente formado a partir das bases, que já teve um espectro ideológico bem definido, o PT hoje se divide entre os que se mantêm fiéis ao seu ideário e os que renegam o seu estatuto e sua carta-programa e agem fisiologicamente.
Mergulhado num processo autofágico que o deixará muito fragilizado e com a imagem irremediavelmente comprometida por conta do pragmatismo exacerbado da maioria de seus líderes, o PT já não difere muito de seus rivais.
Formado por correntes de diversas tendências, o partido costumava discutir democraticamente suas questões internas e sempre prevalecia a vontade da maioria, isso nos primeiro anos de sua existência. Era a democracia petista que causava inveja a outros partidos.
Mas, o PT não resistiria ao fascínio do poder, com suas benesses e facilidades, e logo adotaria o mesmo modus operandi das siglas tradicionais. Mergulhado em disputas internas por questões de espaço no governo, perdeu definitivamente as características que o diferenciavam de outras siglas.
A democracia interna cedeu espaço às disputas fisiológicas, como as que assistimos agora em diversos estados, com fraturas expostas e trocas de insultos através da imprensa.
O partido que antes recusava acordo até com o PCdoB, legenda de esquerda, sucumbiu ao pragmatismo e hoje se alia ao que há de mais retrógrado e nefasto na política nacional em nome da chamada governabilidade.
Quem há 20 anos imaginaria, por exemplo, que Lula e seu partido contariam com aliados da estirpe de José Sarney, Jáder Barbalho, Collor de Mello, Renan Calheiros?
Pois bem, isso é o que eles chamam de real política e que na minha modesta concepção não passa de um conluio entre forças políticas fisiológicas com o único objetivo de garantir o poder a qualquer custo, com o sacrifício da ética e dos cofres públicos.
A política do toma lá da cá colocou o PT no epicentro do maior escândalo de corrupção já registrado no Brasil – o mensalão.
Expoentes do partido, como José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, João Paulo e outros, sentarão no banco dos réus em agosto deste ano quando começa o histórico julgamento pelo STF, com a possibilidade de saírem algemados daquela Corte.
É uma possibilidade que não está descartada e será um desastre para o PT ver o seu principal ideólogo, José Dirceu, sair do STF de algemas e escoltado pela polícia.
Enfim, o PT já não é mais nem uma pálida lembrança do que foi nos seus primeiros anos e é improvável que ainda volte a ser.
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