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PF faz operação contra Carlos Bolsonaro e aliados de Ramagem por espionagem ilegal

A Polícia Federal realiza nesta segunda-feira (29) uma operação para avançar nas investigações sobre a chamada “Abin Paralela”, um esquema de espionagem ilegal que teria funcionado no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Um dos alvos da operação é Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente e vereador do Rio de Janeiro. Ele é suspeito de ter recebido informações obtidas de forma clandestina pela agência de inteligência do governo federal.

A operação também mira pessoas ligadas a Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e atual deputado federal pelo PL-RJ. Ramagem é apontado como o responsável por criar e comandar a “Abin Paralela”, que teria usado um software de geolocalização para monitorar ministros do STF, políticos e outros adversários do ex-presidente.

Na última quinta-feira (25), Ramagem foi alvo de outra operação da PF, que apreendeu computadores, celulares e pendrives em endereços dele. Entre os objetos, havia um notebook e um celular da Abin.

Ramagem é amigo de Carlos Bolsonaro, que o acompanhou na festa de réveillon de 2019 para 2020. Essa proximidade foi um dos motivos que levaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a vetar a nomeação de Ramagem para o comando da PF, em 2020.

As operações da PF causaram reações políticas em Brasília. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, classificou o caso como “um dos maiores escândalos da história”. Já os bolsonaristas acusaram o STF de perseguição política e defenderam medidas para limitar os poderes da corte.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), outro filho do ex-presidente, escreveu em rede social: “Mais um capítulo da ditadura do Judiciário. Cabe ao Senado brecar esta perseguição e preservar as liberdades”.

O software espião usado pela “Abin Paralela” tem a capacidade de rastrear a localização de celulares, mas não de acessar o conteúdo das ligações ou das mensagens.

Segundo a PF, a “Abin Paralela” tentou vincular os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF, à facção criminosa PCC. Essa tentativa foi encontrada em documentos apreendidos na Abin.

“A distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital ? PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”, afirmou a PGR sobre os documentos.


Fonte: Fabio Serapião (Folhapress

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